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Cidade de Maputo
“Criminosos estão mais audazes”
– porta-voz do Comando da PRM da capital do país, Arnaldo Chefo
Maputo (Canal de Moçambique) – Um balanço da Polícia da República de Moçambique (PRM), na Cidade de Maputo, segundo o porta-voz Arnaldo Chefo revela que o crime tem estado a evoluir e que ainda estão longe as soluções para estancá-lo, ao mesmo tempo que confirma que “os criminosos estão mais audazes”.

A falta de meios, a superioridade dos “malfeitores”, entre outros, são alguns dos cenários que a PRM aponta como os que mais impedem o sucesso do seu próprio trabalho.

O referido balanço que a PRM faz de si própria, apesar de indicar uma redução de actos criminais cometidos em 2006 em relação ao ano anterior revela que os casos de “crimes violentos têm estado a aumentar e que os malfeitores têm estado a aperfeiçoar a sua forma de agir”.

Arnaldo Chefo, que falava em exclusivo ao «Canal de Moçambique», revelou que dados oficialmente registados dão conta que em 2006 foram reportados “10.121 casos criminais” dos quais “555 são considerados de crimes violentos por terem sido cometidos com recurso ao uso de armas de fogo”.

Chefo indicou ainda que no período em referência foram roubadas “474 viaturas, também com recurso a armas de fogo, e 191 com uso de chaves falsas”.

Linchamentos

No seu balanço, a corporação tutelada pelo Ministério do Interior em que o engenheiro José Pacheco é a figura de proa desde que o governo do presidente Armando Guebuza assumiu o poder, apresentou a situação dos linchamentos que se registaram em 2006 como tendo sido o culminar de uma situação de insegurança que acabou criando um clima de desconfiança por parte da população com relação aos métodos de trabalho da polícia no combate ao crime nos bairros circunvizinhos da capital do país, onde aconteceram tais actos.

Os linchamentos deram-se, nomeadamente, nos bairros das «Mahotas», «Zimpeto», «Magoanine», «Luís Cabral», «Costa do Sol», «Polana Caniço», «Maxaquene», «Laulane», «Inhagoia» e «Urbanização» onde a “justiça popular” de forma ilegal e anti-constitucional fez 18 vítimas.

“Foi de lamentar pois notou-se que ao usar a justiça pelas próprias mãos a população demonstrou ter perdido a confiança na polícia e nos órgãos de justiça deste país, o que não devia ser”, disse Chefo ao «Canal de Moçambique».

O porta-voz da PRM ao nível da Cidade de Maputo acrescentou que a Polícia não conseguiu por cobro aos linchamentos, o que agravou a situação.

“O facto de a Polícia não ter tido tempo de impedir que esses actos acontecessem, pois para além de criminosos houve vítimas inocentes, é de lamentar”.

Arnaldo Chefo afirmaria ainda que dos 10.211 casos criminais oficialmente registados “6.226 foram esclarecidos, o que culminou com a detenção de 6.753 indivíduos, destacando-se a presença de 118 criminosos estrangeiros.”

“A PRM desmantelou 136 quadrilhas e recuperou 256 viaturas, 99 armas de fogo, 831 munições, 38 motorizadas entre vários bens”.

Ainda segundo o interlocutor do «Canal de Moçambique», a Polícia de Investigação Criminal (PIC), “registou 13.777 processos criminais que resultaram em 7.192 detidos”

“A Polícia de Investigação Criminal trabalhou e concluiu 2.060 processos que os enviou para o tribunal tendo arquivado 176 para mais averiguações”.

“A audácia dos criminoso”

Arnaldo Chefo considera que o crime na cidade de Maputo baixou nos últimos tempos em comparação com o ano de 2005.

“Destacamos estatisticamente uma redução de 265 casos. No entanto, devido a audácia com que os criminosos têm estado a cometer as suas acções criminais, e com o impacto dos pouco casos que se têm verificado, os citadinos ficam com a impressão de que o crime na capital tende a agravar-se”, refere Chefo para depois opinar que “isso não corresponde à verdade”.

“Os criminosos cometem crimes em plena luz do sol e criam pânico nas pessoas dando assim a sensação de que o crime está a aumentar”, defende.

Ele explica-se melhor e alude factos: “Foi o que aconteceu, há cerca de mês e meio, com os assaltos aos bancos BCI na Polana e Standard Bank na Avenida 25 de Setembro”.

Crime longe de ser combatido

Apesar de traçar uma perspectiva optimista que pode em certa medida devolver a esperança aos cidadãos de que possam estar aí a vir dias mais agradáveis e seguros, de acordo com Chefo o crime em Maputo “está longe de ser combatido devido à escassez de meios e agentes policiais que permitam um patrulhamento eficiente”.

“Estes problemas já foram identificados e encaminhados ao Ministério do Interior para a sua resolução. Nós não traçamos políticas sobre o recrutamento dos efectivos. Isto é com o Governo”, disse o nosso entrevistado reconhecendo haver falta de meios circulantes para fazer frente aos malfeitores.

Referindo-se aos meios dos malfeitores Chefo disse: “Esses usam carros modernos e velozes o que a polícia não tem”. O porta-voz da PRM apontou ainda o problema da deficiente rede viária de alguns bairros periféricos da cidade de Maputo que não permite que os carros e motos da polícia designada como Brigada Anti Crime (BAC) circulem em condições.

“Há já baixas em termos de motos desta polícia especial pertencente à Força de Intervenção Rápida devido à avarias”, segundo Chefo devido ao péssimo estado das vias.

“Se for a notar, as motos já são poucas, devido a avarias que não são reparadas”, disse.

O Porta-Voz da PRM no Comando da Cidade de Maputo reconhece entretanto que a cidade de cimento é mais propensa ao crime relativamente à periferia pelo facto da existência de objectos de valores, “existência de locais de grande interesse”. O interlocutor do «Canal» apesar de reconhecer ter baixado a confiança que a população tem pela corporação, ressalvou que tal facto não é geral.

“Há casos que são reportados pela população que tem merecido a nossa acção apesar de em certos casos ser aquém das expectativas”.

Expectativas

Arnaldo Chefo é da opinião que face à grave situação criminal que reconhece que a capital do país tem estado a enfrentar, a corporação “traçou estratégias visando reduzir a criminalidade através da protecção do cidadão na via pública”, e ainda “protecção dos estabelecimentos de maior procura pelos seus serviços tais como bancos, casas de câmbios, supermercados, mercados, edifícios do Estado, tais como Ministérios, e outras entidades que se apresentam mais vulneráveis aos malfeitores”.

(Alexandre Luís)
2007-04-16 21:37:00
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