
Maputo (Canal de Moçambique) – Agentes dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE), estiveram defronte da Assembleia da República, sábado último, para notificar os cabecilhas da manifestação organizada pelas "forças vivas da sociedade", que tinha como objectivo exigir a demissão do ministro da Defesa Nacional, Tobias Dai, em consequência da explosão do Paiol de Malhazine, que causou desgraças a centenas de famílias moçambicanas.
Os alvos dos agentes da "secreta" moçambicana, foram os participantes mais activos, nomeadamente Djo, do grupo «G Pró Family» e Tomás Mulungo, dinamizador cultural. Após a detenção dos manifestantes, o «Canal de Moçambique» pôde testemunhar, agentes à paisana, a dizerem ao sub-inspector Neves Dionísio, Oficial de Permanência do Dia: “Estes putos têm a mania de quererem brincar com a Frelimo, mas hoje acabou”.
O pecado de Djo era anterior. Há muito que está marcado. E isso ficou claro quando era encaminhado para as celas e as declarações dos agentes iam sendo escutadas: “Este é do grupo que canta o país da marrabenta”.
Nessa letra dos «G Pro Family» cujo o teor é explícito e chegou a ser banida da Rádio Moçambique, eles apontam o governo da Frelimo como "Incapaz".
"São dez anos de paz, dez anos de um governo incapaz"…."O país da marrabenta vai de mal a pior", pode-se ouvir nessa letra, que bateu recordes de audiência ao nível da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.
Já Tomás Mulungo, antigo militar das Forças Populares de Libertação de Moçambique, recrutado compulsivamente para "combater a Renamo" não está a ser perdoado por ter ideias próprias e apontar em público os males do sistema. É tido como rebelde. E conforme falavam os agentes do SISE: "tem a mania que sabe muito, mas hoje há-de conhecer a Frelimo".
(LN)