Maputo (Canal de Moçambique) – O economista moçambicano, Gildo Lucas, docente da «UEM – Universidade Eduardo Mondlane», considera que em Moçambique os idosos estão inibidos do acesso ao crédito financeiro, junto de instituições de micro-finanças, por causa da alegada falta de confiança por parte das instituições credoras. E disse também que quem tem acesso a créditos é uma ínfima parte da população. Mesmo até quem tem conta bancária é porquíssima gente relativamente ao todo da população.
Segundo o académico, que é cumulativamente membro da Tchuma Cooperativa de Crédito, é quase inexistente o crédito para os velhos, tudo porque se pensa que "esses velhos podem não pagar as suas dívidas".
Outros dados avançados pelo mesmo economista, dão conta que dos 20 milhões de moçambicanos que perfazem uma média de 4 milhões de agregados familiares, apenas 140 mil pessoas têm acesso ao crédito nas instituições de micro-finanças.
Por outro lado, segundo a fonte, no país apenas 170 mil pessoas possuem depósitos nos bancos ou instituições financeiras.
Gildo Lucas que falava nesta quarta-feira em Maputo numa apresentação intitulada «Finanças Rurais na Óptica das Instituições de Micro-Finanças», afirmou também que dos 128 distritos que o país tem, apenas 28 possuem agências bancárias, sendo que 58 por cento das referidas agências, encontram-se concentradas na capital do país.
Quanto a infra-estruturas, a fonte deu a conhecer que apenas 59 distritos do país todo, têm acesso a energia eléctrica, 53 possuem a rede de telefonias móvel e outros 62 distritos são os que tem a rede de telefonia fixa.
Apontando as causas que estariam por detrás do fraco desenvolvimento económico das zonas rurais, tanto em termos de infra-estruturas, como no acesso ao financiamento, a fonte enumerou as deficientes vias de acesso, os riscos de insegurança, a falta de informação ou conhecimento sobre as potencialidades dessas regiões, bem como a exiguidade de lucros, como factores que estariam a contribuir para a não ida dos investidores, sobretudo os do sector bancário, às referidas áreas.
Por seu lado Jane Grob, da Swiss Capital Patners, entende que o fraco desenvolvimento financeiro nas zonas rurais, tem a ver com a falta de transparência nos procedimentos cambiais, a ausência de uma legislação clara sobre os direitos do uso da terra, a falta de financiamentos para o provimento de terras, bem como a falta de planificação em projectos de desenvolvimento rural.
Segundo Grob, também as elevadas taxas de juros, e a permanente ausência das autoridades legais no acto das execuções por parte das instituições credoras que chegam a apoderarem-se de bens dos endividados, são outros factores que tem contribuído para que as pessoas tenham receio de se dirigirem aos bancos ou instituições de crédito, a fim de obterem empréstimos.
"Mas também não há reconhecimento da área de agricultura, dai que não se dá dinheiro a este sector. É verdade que as Pequenas e Médias empresas têm boas ideias, mas também é verdade que aqui não têm financiamentos", disse Jane Grob.
Dados do Banco Mundial, apontam que actualmente em Moçambique, as taxas de juros variam entre os 17 e 22 por cento em meticais, 6 a 10 por cento em Dólares norte-americanos e 14 a 17 por cento em Rand sul-africano.
(Bernardo Álvaro)
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