Maputo (Canalmoz) – Sensivelmente dez dias é o tempo que nos separa do fim da campanha eleitoral. O partido Frelimo está a jogar tudo e todos, e abusando do facto de estar no Poder. Usa todos os trunfos em sua posse, designadamente a complacência das autoridades para tentar vencer as eleições de 28 de Outubro próximo. Num acto massivo sem precedentes, em clara violação da Lei Eleitoral, uma missão daquela formação política, maioritariamente, composta por jovens do sexo masculino, no Cemitério São Francisco Xavier, vulgarmente conhecido como paragem da Ronil, começou a colar panfletos do seu partido e do seu candidato Armando Emílio Guebuza no muro. Só que ao invés de simplesmente colar os panfletos da Frelimo e de Armando Guebuza, os jovens rasgaram tudo quanto era material de outros partidos da oposição.
Quando não rasgavam, apenas sobrepunham. Colavam por cima os seus panfletos.
Após ter recebido essa informação, a nossa equipa de reportagem deslocou-se ao referido cemitério. Lá constatámos que membros do partido Frelimo fazendo-se transportar num camião com a chapa de inscrição MMP-66-81, estava de facto a “sepultar” o material dos partidos da oposição que ali anteriormente haviam colado a sua propaganda eleitoral. Aliás, não foi o material dos partidos da oposição que foi destruído no muro daquele cemitério, sobretudo o que dá para a Av. Eduardo Mondlane. Também panfletos publicitários de pessoas singulares e colectivas, tiveram a mesma sorte. O muro foi literalmente cheio que panfletos da Frelimo e de Guebuza, não importando os dos outros.
Não destruímos material de ninguém
A reportagem do Canalmoz e o Canal de Moçambique – Semanário procurou junto dos jovens da Frelimo saber quem era o chefe da missão. Indicaram-nos uma jovem que estava na viatura a que atrás fizemos referência. Questionamos a jovem por que razão estavam a destruir do material de campanha dos outros partidos. Num tom de arrogância negou ter ordenado a destruição do material dos partidos da oposição. “Nós não destruímos material de ninguém aqui. Apenas estamos a fazer o nosso trabalho. Todos os panfletos que estamos a tirar são de David Simango, ex-candidato da Frelimo nas eleições autárquicas, e actual presidente do município de Maputo”, disse.
Falsa testemunha
Dissemos à referida jovem que sabíamos que nas paredes onde já tinham panfletos da Frelimo e Guebuza, tinha anteriormente panfletos de partidos da oposição e até publicidade de entidades privadas que ali também anunciam os seus casos – anúncios publicitários. Mas a jovem voltou a negar que isso fosse verdade. Enervada mostrou-nos uma senhora que naquele instante estava a vender amendoim. Apontou-nos a tal senhora como pessoa que podia testemunha que a Frelimo não destruiu material dos partidos da oposição.
Eu não vi nada…
Por respeito ao contraditório, aproximámo-nos da referida senhora para ela testemunhar a “inocência” dos jovens do batuque e maçaroca. “Não vi nada. Estou aqui no meu trabalho, e não sei se tiraram ou não os papéis que estás aí a falar”, disse aquela vendedeira à nossa reportagem.
Defuntos respiram à Frelimo
Mesmo negando que para tal tenham destruído material dos outros partidos e material publicitário de entidades particulares, os membros da Frelimo, pintaram praticamente o cemitério São Francisco Xavier, demonstrando o seu poderio quanto a meios para fazer campanha.
Para além do habitual barulho dos “chapeiros” que tem perturbado todos os dias o sossego nas imediações do Cemitério Francisco Xavier, próximo da Ronil, ontem tiveram de escutar sem direito a reacção, porque campanha é campanha e a Polícia só vê o que lhe convém, o badalado som “A Frelimo é que faz, a Frelimo é que Fez que era reproduzido a partir da camioneta que acima fizemos referência. A indignação silenciosa das pessoas sente-se, mas de facto só no dia 28 de Outubro tudo estará de facto à prova.
(Matias Guente)
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