Maputo (Canalmoz) - O Centro de Promoção da Agricultura (CEPAGRI) revela que durante o ano em curso Moçambique exportou até ao fim do terceiro trimestre, das quatro açucareiras, um total de 84 mil toneladas de açúcar para os mercados da União Europeia, no âmbito da Iniciativa EBA e das Quotas Complementares (CQ) que são solicitadas pelas refinarias. Entretanto, segundo o CEPAGRI, as exportações só foram iniciadas no segundo trimestre do ano de 2009 e continuam até o presente momento.
No âmbito da Iniciativa EBA, foram exportadas 32 mil toneladas no terceiro trimestre.
De Quotas Complementares foram exportadas 26 mil toneladas, no segundo trimestre. Entretanto, o país veio a receber mais um Volume Adicional de 26 mil toneladas, exportadas no terceiro trimestre, totalizando, desta forma, cerca de 84 mil toneladas, durante o ano em curso, até ao momento.
De acordo com dados em nosso poder, o volume de exportações que inicialmente estava previsto para o presente ano reduziu devido aos baixos índices de produção registada.
“Desta forma, as estimativas de exportações previstas para os diferentes mercados serão de 126 mil toneladas de açúcar contra as 200 mil toneladas em meta. Estas exportações serão valorizadas em 59,8 milhões de dólares americanos. Se estas exportações se efectuarem, verificar-se-á uma redução no volume de sete por cento em relação às exportações realizadas no ano passado e vai-se reflectir na receita total que reduzirá em nove por cento”, indica o CEPAGRI que aponta ainda que “a redução prevista das receitas não será proporcional à redução do volume das exportações devido às pequenas reduções verificadas em termos do preço no novo regime açucareiro que entrou em vigor, no ano em curso, na União Europeia”.
Risco de se perder as quotas para os EUA
De destacar que a indústria açucareira moçambicana interrompeu as suas exportações, por um período de dois anos, para o mercado preferencial dos EUA. “Este mercado é tido como o mais desfavorável, mas é importante que se cumpra com as quotas sob risco de serem canceladas”. “Espera-se para este ano uma exportação de 14 mil toneladas até finais de Dezembro”, aponta o CEPAGRI.
Outros dados
Entretanto, não há dados das importações de açúcar que o país tenha efectuado no último trimestre. Mas a indústria nacional de açúcar é apontada como tendo iniciado o terceiro trimestre do presente ano com um «stock» negativo de cerca de 2515 toneladas de açúcar. Esta aparente falta de açúcar foi imediatamente reposta com a produção de 124 mil 699 toneladas, o que permitiu que a indústria disponibilizasse 122 mil 184 toneladas de açúcar nos armazéns.
“A combinação das vendas domésticas e das exportações realizadas durante o trimestre resultou num nível total de procura de 110 mil 286 toneladas de açúcar. Como resultado, a indústria açucareira transferiu um «stock» de 11 mil 898 toneladas para o início do quarto trimestre.
O CEPAGRI aponta que houve um défice mundial do açúcar na campanha de 2008/2009 influenciado pelas más campanhas em países como Brasil, Índia e outros considerados maiores produtores. “Isto resultou no aumento dos preços internacionais de açúcar, tanto do amarelo como no do branco, chegando a tingir 474 e 530 dólares americanos por tonelada, respectivamente, até Setembro passado”, diz o CEPAGRI e continua:
“Situações como estas, do mercado, colocam países como Moçambique, que se beneficiam do mercado preferencial europeu, num dilema, o que obriga o país a ter que parar para pensar entre o mercado preferencial e o mercado internacional livre, por um lado. Por outro, pode até haver um ganho, pois uma situação desta natureza pode ser incentivadora para os investidores decidirem investir na produção de açúcar no país ou na injecção de mais fundos para expansão de produção de açúcar nas empresas já existentes”.
Para a campanha de Outubro de 2009 a Setembro de 2010, a produção mundial esperada é de 159 milhões de toneladas. Os níveis de consumo irão aumentar e continuarão acima dos níveis de produção. Desta forma, a primeira estimativa do balanço mundial de açúcar, para 209/2010, prevê um défice de cerca de oito milhões de toneladas. Esta redução contínua põe em risco a disponibilidade de exportações mundiais de açúcar, sendo o Brasil e a Índia descritos como os principais promotores desta esperada situação no mercado mundial de açúcar.
(Emildo Sambo)
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