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Catalogação dos Heróis Nacionais
Roberto Chitsondzo considera que o debate deve continuar

Maputo (Canalmoz) – O conceituado músico que virou deputado à Assembleia da República pela Frelimo, Roberto Chitsondzo, entende que “o debate sobre o controverso tema: quem deve ser catalogado como Herói Nacional?, não pode ficar pelo caminho”. “Já que começou deve ir até o fim”. “Os heróis não podem ser apenas pessoas perecidas. Há também heróis vivos”, insiste.
Falando ao Canalmoz, à margem das cerimónias de deposição de flores na Cripta em Maputo por ocasião do 3 de Fevereiro que homenageia os “Heróis Nacionais”, Roberto Chitsondzo afirmou que “a discussão de quem deve ser ou não Herói Nacional não é um assunto que se esgota num único dia. É complexo e envolve muitas coisas”.
No entender do deputado do Partido Frelimo, “a catalogação dos Heróis Nacionais não pode ser vista do ponto de vista de quem pereceu ou está vivo. Trata-se de uma discussão legítima e que deve ser feita, mas não a nível de uma ou poucas pessoas”. “Para além dos que pereceram temos heróis do dia-a-dia. E devemos prestar homenagem a cada um deles se os identificarmos”.

Os heróis devem morrer felizes

Questionado como pensa que podia ser feita a catalogação dos Heróis Nacionais, o músico-deputado respondeu: “se existir um trabalho que esse alguém tenha feito e, sem dúvidas seja reconhecido, por quem quer que seja, que seja obra de herói, que seja homenageado para que morra feliz. Tudo o que é homenagem à pessoa deve ser-lhe entregue ainda em vida. Temos que nos habituarmos a não ficar à espera que a pessoa morra para lhe homenagearmos e considerá-la um herói”.
Por outro lado, Roberto Chitsondzo defende que “não basta apenas debates, é preciso também que se definam critérios para se decidir quem são e devem ser realmente os Heróis Nacionais”.
“Um dos critério a adoptar seria a consideração dos feitos notáveis dos que se pretende que sejam heróis.
Há tantas pessoas que fizeram muito pelo País, vivas. Não só perecidas”, acrescenta o músico.

Debate interminável

O debate sobre quem são os Heróis Nacionais tem sido um assunto interminável. Tornou-se para muitos quase um caso patológico. Os “colossos” da Luta de Libertação Nacional têm sido os únicos a acharem-se com direito a tal estatuto. Herói tem sido apenas quem é do Partido Frelimo. E tem sido considerado apenas aquele que combateu com armas na mão, salvo raras excepções. Mas há os que mesmo sem terem pegado em armas deram as suas vidas pela Nação e os seus familiares sentem que lhes deve ser concedido o título, oficialmente. Por outro lado os que andaram na luta contra o monopartidarismo e contra a hegemonia da Frelimo sobre a Sociedade e o Estado, pela institucionalização de um regime pluralista e democrático, nas fileiras da Renamo, também querem ser reconhecidos como heróis. Outros acham que este debate é um disparate numa altura em que o País tem tanto mais importante a debater para se tentar suprir a extrema pobreza que persiste.

(Emildo Sambo)

2010-02-08 05:40:00
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