Maputo (Canalmoz) – Uma mulher de 31 anos foi detida pela Polícia da República de Moçambique, no bairro da Matola “A”, acusada de ter arrancado os órgãos genitais do seu marido, durante uma briga conjugal. O caso, segundo a Polícia, deu-se na sexta-feira última, na residência do casal. Segundo deu a conhecer o porta-voz do Comando Provincial da PRM em Maputo, Joaquim Selemane, a mulher chama-se Joana Ngoca, e é funcionária do Estado.
A vítima conseguiu sobreviver ao ataque da sua parceira, mas com graves ferimentos, encontrando-se, neste momento, sob cuidados hospitalares intensivos, segundo deu a conhecer a Polícia.
De acordo com a Polícia, tudo partiu de uma briga conjugal que acabou em separação. Mas o grande problema foi suscitado quando se tratava da divisão dos bens entre o casal, em que cada um queria ficar com o melhor possível. À discussão seguiu-se pancadaria, e a mulher, sem forças para vencer o seu marido, optou por puxar os órgãos genitais do marido
Depois de ter arrancado os órgãos genitais do marido, Joana Ngoca foi-se entregar à Polícia, ainda com sangue nas mãos, conta o porta-voz da corporação, tendo de seguida sido detida.
Joaquim Selemene diz que a vítima, cujo nome não nos foi revelado, só escapou à morte graças à pronta intervenção da vizinhança, que ouviu os gritos do casal.
A versão da autora do acto
Por sua vez, Joana Ngoca, falando à nossa reportagem, assumiu que cometeu o crime, tendo justificado que “estava fora do controlo” emocional, e que a sua intenção era a de “defender-se das agressões do marido”.
Ela reconhece que o maior problema, após ter aceite o divórcio, foi na divisão de bens, pois o marido queria que ela fizesse uma lista de tudo o que ela ia levar consigo, mas a essa lista que ela (Joana) tinha de fazer deveria incluir apenas alguns bens domésticos (panelas, fogões e outros), e devia levar também as crianças.
“Eu não neguei o divórcio, mesmo sabendo que ia ficar com as crianças. Pedi-lhe que me deixasse com a casa e o carro, para ficar com as crianças, visto que também contribuí, trabalhando muito para podermos conseguir os bens que temos. Não se justifica que ele não quisesse dar-me o que eu mereço”, declarou Joana Ngoca.
Questionada como foi que aconteceu o incidente, a nossa interlocutora disse que tudo começou quando o marido começou a bater-lhe, alegando que ela deveria sair da casa sem nada. Segundo contou a Joana Ngoca, ela conseguiu pegar nos órgãos genitais do marido “com toda a força e nervosismo”, numa altura em que este estava a despir-se para o banho. “De imediato, o meu marido caiu no chão a sangrar e aos gritos pedindo socorro”, conta ela.
“Logo que me apercebi que o meu marido estava ferido, já caído no chão, eu disse-lhe para irmos ao hospital, mas ele negou. Acontece que ele ligou para a sua família, residente nas imediações, e eles vieram de imediato. Só que, nessa altura, eu já estava na esquadra para me apresentar, mesmo antes de me prenderem”, acrescenta.
De acordo com Joana Ngoca, o casal tem dois filhos menores e são casados oficialmente há seis anos.
(António Frades)
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