Maputo (Canal de Moçambique) – Supostos simpatizantes e apoiantes do partido Frelimo e de seu candidato a presidência do município de Maputo, David Simango, no bairro da Polana Caniço “B”, estão a destruir o material de campanha eleitoral, sobretudo cartazes e panfletos, do partido Renamo e seu candidato Eduardo Namburete.
As investidas dos mesmos que se dizem apoiantes da Frelimo e Simango, começaram na última semana quando estes, sob ordens da Comissão dos Vendedores do Mercado do «Xikelene», tentaram escorraçar o candidato da Renamo, António Namburete, quando escalou naquele local no âmbito da sua campanha eleitoral, tendo lhe valido a pronta intervenção dos elementos da Polícia da República de Moçambique (PRM) que acompanham a caravana da campanha do maior partido da oposição em Maputo.
Os apoiantes da Frelimo, arremessaram pedras e proferiram palavras injuriosas contra a caravana da Renamo, perante o olhar sereno e risos da Comissão dos Vendedores e dos membros da policia do posto local, sem contudo provocarem danos nem vítimas. Apesar do incidente, a PRM não efectuou nenhuma detenção aos supostos membros da Frelimo.
Segundo apuramos, não tendo conseguido inviabilizar a campanha eleitoral do seu principal adversário político, a Frelimo agora optou por instruir os seus apoiantes a passarem em revista todos os cantos do bairro da Polana Caniço “B”, para arrancarem todos panfletos que dizem respeito ao partido Renamo e do movimento cívico Juntos Pela Cidade (JPC), já que os outros de outras formações políticas nada se sabe no terreno.
No mercado do «Xikelene», onde a Comissão dos Vendedores locais ameaça expulsar das bancas quem não apoiar a Frelimo e David Simango, informações de fontes indicam que os membros do partido no poder incitam os menores de idade e alguns jovens, para rasgarem panfletos e proferirem palavras injuriosas contra a Renamo, a quem consideram de “um partido criminoso”.
Uso de locais e bens públicos
Entretanto, ainda na Polana Caniço “B” e no distrito municipal numero três (DC3) no geral, o partido Frelimo está a usar os edifícios e funcionários públicos para sustentarem a sua campanha e do candidato David Simango.
Na própria sede daquele bairro, na Escola Comunitária “Kurula”, na Escola Primaria Completa do Matchiki-tchiki, somente para citar exemplos, o Canal de Moçambique viu “in loco” panfletos desta formação politica e seu candidato ao município, colados sobre as paredes, numa altura que decorrem os exames escolares do primeiro e segundo ciclos do ensino primário. A lei proíbe afixação de material de propaganda eleitoral em escolas.
Tanto os funcionários do bairro, como os professores terão recebido materiais de campanha da Frelimo, para disseminarem junto dos seus locais de residência, sendo que muitos têm cartazes e panfletos nas paredes e portas das suas casas, segundo várias fontes do nosso jornal.
Na Escola Primaria Completa da Polana Caniço “B”, fontes informaram a nossa reportagem que alguns professores foram dispensados das suas actividades para se envolverem em actos de campanha eleitoral do partido Frelimo.
As “maquetas” de um David Simango “subjectivo”
O candidato a presidente do Município de Maputo pelo partido Frelimo, David Simango, é considerado como um homem de “promessas não cumpridas”que “desgraçou alguns professores” desta urbe, no tempo em que era Director da Educação da Cidade de Maputo.
Segundo fontes, Simango prometeu na ocasião, enquadrar os professores da Escola Comunitária da Polana Caniço “B” nos quadros da educação, contudo não chegou de cumprir com as suas promessas. Terá sido ele, dizem as fontes, que até inviabilizou a decisão do então ministro da Educação, Alcidio Nguenha, que num despacho de 1998, reconheceu aquela escola e deu instruções no sentido de enquadramento dos respectivos professores.
De 1998 a esta parte os professores, estão sem salários e a escola está a cair de podres. O mesmo acontece com a Escola Primaria da Polana Caniço “B”, que desde a época em que Simango era director até agora está sem carteiras, apesar de promessas de resolver que não chegaram a serem cumpridas.
Alguns professores, dizem que Simango evita encontros com eles, porque teme que seja questionado sobre muitos problemas que ele criou e os deixou, dai que muitos consideram-no como um “homem subjectivo”.
(Bernardo Álvaro)
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